Como Jurassic Park (1993) Revolucionou o Cinema
O primeiro Jurassic Park parecia impossível de ser feito. E, em alguns momentos, a produção conturbada quase provou que isso era verdade. Aqui estão as principais curiosidades e imprevistos que somente os maiores fãs da franquia conhecem.
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Jurassic Park revolucionou a indústria do cinema, seja pelo seu tema, pelos animatrônicos ou pelos efeitos práticos que fizeram essa obra envelhecer como um vinho.
Existem diversas curiosidades que tornam o sucesso da obra em algo ainda mais especial, como a possibilidade de ele ter sido dirigido por James Cameron, ou o fato de um furacão ter interrompido as filmagens e destruído todo o cenário do filme.
Todos sabiam que esse poderia ser o filme mais ambicioso até então, mas desde o início, tudo começou a dar errado.
Os direitos do filme
Antes mesmo do livro de Jurassic Park ser publicado, os maiores estúdios de Hollywood já estavam disputando os direitos de transformá-lo em filme.
Todos já enxergavam o potencial da obra de Michael Crichton, porém, por melhor que fosse a história base, para criar um filme tão ambicioso era necessário não só um grande orçamento, mas também um grande diretor.
A Warner Bros queria o icônico Tim Burton na direção. A Columbia contava com o influente Richard Donner, e a 20th Century Fox esperava que o parceiro de Spielberg, Joe Dante, dirigisse o projeto.
Todos pareciam ser escolhas excelentes.
E ainda havia um outro diretor que já era considerado um dos melhores da história.
James Cameron tentou conseguir os direitos da obra, mas ele chegou tarde e não conseguiu fazer a sua oferta a tempo.
E o filme seria completamente diferente na visão dele.
Cameron contou que a sua ideia era de transformar Jurassic Park em um filme de ação com momentos de terror, assim como ele fez em Aliens: O Resgate (1986).
Como destaque, ele imaginava que o protagonista deveria ser o renomado ator Arnold Schwarzenegger.
Ainda assim, Cameron disse ter ficado feliz por Spielberg ter feito o filme, já que graças a ele, muitas crianças puderam ver e se apaixonar pelos dinossauros.
Apesar da concorrência de peso, a Universal conseguiu sair vitoriosa e já tinha a pessoa perfeita para o projeto.
Só tinha um detalhe: Spielberg não tinha tanto interesse em Jurassic Park, e estava buscando fazer outro filme naquele momento.
Pré-produção
Spielberg estava trabalhando na pré-produção de um filme chamado ER (que mais tarde se tornou a série plantão médico), que também era baseado em um roteiro de Michel Crichton.
Foi quando a Universal chegou até ele com a proposta de dirigir Jurassic Park, porém o diretor queria fazer outro filme: A Lista de Schindler (1993).
O problema era que Spielberg precisava de financiamento para isso.
Com um relacionamento que ia além dos negócios, Sid Sheinberg, presidente da Universal na época, ofereceu o financiamento do filme, mas com uma condição. Spielberg teria que fazer Jurassic Park primeiro.
O que o diretor não sabia era que iria precisar produzir os dois filmes praticamente ao mesmo tempo.
Trabalhando em dobro
“Esse foi o momento mais difícil de minha carreira”.
Essa foi a declaração de Spielberg ao contar como foi trabalhar em “A Lista de Schindler” e “Jurassic Park” ao mesmo tempo.
Por um lado, filmagens no Havaí, dinossauros e um filme de ação e aventura. De outro, Polônia, temática de Segunda Guerra Mundial e um drama real que conta a história de Oskar Schindler.
O diretor precisou enfrentar o frio congelante da Polônia e, durante a noite, ele precisava revisar o trabalho da ILM enquanto estava na Europa.
Como seria impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo, Hollywood precisou criar uma maneira de aproximar os dois projetos.
Para isso, foram contratados dois canais de satélite dedicados, funcionando 24 horas por dia. E o custo para isso foi bem alto, cerca de US$ 1,5 milhão por semana.
Ainda assim, Spielberg percebeu que não conseguiria supervisionar tudo sozinho, então ele precisou contar com a ajuda de um velho amigo.
George Lucas e sua equipe ficaram trabalhando majoritariamente nos efeitos visuais e sonoros, avaliando e corrigindo a qualidade das filmagens.
E Spielberg agradeceu deixando o seu nome registrado nos créditos do filme.
Depois de adquirir os direitos, a produção precisava enfrentar o próximo desafio, adaptar o livro em um filme de cerca de duas horas de duração.
Roteiro e material base
Spielberg não queria que o filme tivesse um tom sombrio como no livro. Ele queria que os dinossauros fossem sim, assustadores, mas eles também precisavam ser, nas palavras dele, “fascinantes”.
A produção do filme contou com Jack Horner e Robert Bakker, dois paleontólogos que trabalharam como consultores no filme, deixando os dinossauros o mais próximos possível do conhecimento da época, apesar de Spielberg defender que o filme nunca seria cientificamente acurado.
O primeiro rascunho foi escrito por Malia Scotch Marmo. A versão dela pode facilmente ser encontrada, e é mais cômica do que a versão aventuresca do filme.
Spielberg não aprovou, faltavam alguns detalhes que faziam a história do livro parecer possível de acontecer de verdade.
Assim, não havia ninguém melhor para escrever esse roteiro do que o próprio Michael Crichton.
E dessa vez, o diretor adorou a nova versão, mas ele ainda estava inseguro, então, como de costume, ele contratou um segundo roteirista, David Koepp.
Spielberg gostava de trabalhar com novos talentos, e Koepp se destacou no roteiro de “A Morte Lhe Cai Bem (1992)”, principalmente em relação aos personagens.
Koepp fez muitas mudanças e começou a cortar tudo aquilo que poderia funcionar no livro, mas em um filme ficaria “chato e desnecessário”.
Foi ele quem mudou a personalidade de Hammond para um vovô simpático, em vez do capitalista ganancioso, “uma versão obscura de Walt Disney”, segundo Crichton.
Também foi Koepp quem trouxe mais protagonismo para Malcolm e seus flertes com Ellie. E Alan Grant ganhou um arco pessoal onde ele começa odiando crianças, para no final se tornar uma figura paterna.
E principalmente, esse roteiro ia de encontro com as ideias de Spielberg, de fazer um filme que, ao mesmo tempo, demonstrasse o lado assustador dos dinossauros, mas também fosse uma aventura divertida para as crianças.
Possíveis atores
O ator escolhido para o papel pode mudar completamente a personalidade do personagem, Richard Attenborough tem a aparência de um bom velhinho, mas você já imaginou como seria esse papel sendo interpretado por Clint Eastwood? E quanto a Marlon Brando ou Sean Connery? Todos eles foram considerados.
No papel de protagonista como o Dr. Alan Grant, Sam Neil também não foi a primeira escolha, antes dele surgiram nomes como os de Kevin Costner, Mel Gibson e até Robin Williams.
William Hurt negou o projeto dizendo: “Essa abordagem de dinossauros não me agrada muito”.
Kurt Russell também desistiu do papel depois que ele e Spielberg não conseguiram concordar com o salário.
E claro, houve um outro grande nome que Spielberg gostaria que fosse o protagonista.
Em uma entrevista no podcast Happy Sad Confuse, Spielberg revelou que Harrison Ford rejeitou a oferta do diretor. Segundo ele: “Ford nem deve se lembrar, mas eu me lembro, e isso me deixou arrasado”.
Algo que poucas pessoas sabem é que Jim Carrey fez uma audição para o papel de Ian Malcolm. Jim Carrey ainda não era famoso e estava prestes a ficar conhecido pelo seu papel em Ace Ventura: Um detetive diferente.
O papel ficou com Jeff Goldblum, que trouxe ao personagem um aspecto mais sedutor e, ao mesmo tempo, mostrou estar disposto a se sacrificar pelos outros, como na cena em que ele atrai o T-Rex para longe das crianças usando um sinalizador.
Mas ainda assim, a ideia de termos Jim Carrey como Malcolm mudaria, e muito, o destino do personagem como protagonista do segundo filme.
E outra curiosidade é que o papel de Lex foi dado a Ariana Richards por causa de seus gritos agudos. Segundo Ariana: “Eu fui a única que conseguiu assustar a esposa de Steven. Ela veio correndo para ver se estava tudo bem comigo.”
Com o elenco montado, só faltava completar com os outros personagens que seriam o verdadeiro foco do filme, só havia um problema: ninguém sabia como iriam conseguir reproduzir os dinossauros de uma forma realista.
CGI e efeitos visuais
Jurassic Park deixou sua marca na história por ser o melhor exemplo da transição entre o auge dos efeitos práticos e animatrônicos para os efeitos digitais.
Mas na época, colocar humanos ao lado desses animais gigantes de uma forma em que eles parecessem reais era algo quase impossível.
E para resolver isso, Spielberg contou com a ajuda de Phil Tippett, um gênio em efeitos visuais.
Tippett foi o desenvolvedor da técnica Go Motion, junto com a Industrial Light & Magic (ILM), que adicionava motion blur (um leve desfoque) entre as cenas, trazendo uma animação mais fluida e natural.
O Stop-Motion, uma técnica que movimentava um objeto físico quadro a quadro, gerando uma ilusão de movimento.
Essa mesma técnica utilizada em Star Wars: Episódio V (1980) e RoboCop (1987), era sem dúvidas, a melhor forma possível de trazer esses gigantes de volta à vida.
No entanto, os artistas da ILM sugeriram que a maioria dos dinossauros fosse totalmente animados em CGI, mas até mesmo o chefe Dennis Muren desacreditou dizendo que eles nunca poderiam fazer um trabalho melhor que o de Tippett.
Steve Williams “Spaz” e Mark Dippé realizaram, em segredo, um teste digital com um esqueleto de T-Rex correndo. A cena foi apresentada para a produtora Kathleen Kennedy, que impressionada, informou Spielberg e pediu um novo teste.
Desta vez, Steve e Mark produziram uma cena de um T-Rex completo, caminhando lentamente por um deserto. Vendo isso, Spielberg e Tippett olharam um para o outro e Tippett disse: “Acho que estamos extintos”.
O diretor gostou tanto da frase que a adaptou para o personagem Malcolm em resposta a um comentário de Grant.
Muita gente nem percebe, mas os dinossauros aparecem muito menos do que se imagina, são 15 minutos no total, sendo 9 minutos com animatrônicos e 6 minutos com CGI.
Em Tubarão (1975), Spielberg fez um trabalho similar, onde ele evitava mostrar a criatura, e isso gerava uma mistura de medo e ansiedade como acontece na cena em que o Velociraptor é alimentado com uma vaca.
E como o público não poderia ver a criatura, esses momentos precisavam nos causar medo de outra forma: através dos efeitos sonoros.
Efeitos sonoros
Já imaginou como deveria ser o rugido de um T-Rex?
Antes de qualquer um dos predadores aparecer em tela, eles anunciavam a sua chegada através do som, seja com os rosnados dos raptores na jaula, ou com o tremor causado pelos passos do gigante T-Rex.
Inclusive, a cena do copo em que vemos as vibrações no copo d’água, foi feita colocando uma corda de violão embaixo do painel. Spielberg teve essa ideia enquanto ouvia música no carro e percebeu que o retrovisor chacoalhava.
O designer de som Gary Rydstrom passou meses gravando animais reais em zoológicos, florestas e até mesmo o seu cachorro.
Felizmente, não há nenhum animal existente que possa ser comparado ao Rei Tirano, então só restou a Rydstrom imaginar como seria estar próximo de um monstro tão assustador quanto.
E o mais próximo disso foi, na verdade, um grito de um filhote de elefante, o áudio foi desacelerado para dar mais peso ao animal. Algo curioso é que o bebê elefante deu esse grito “agudo e fofo” uma única vez, e nem mesmo os manipuladores sabiam explicar o motivo, “nunca ouvimos isso antes, é um som estranho”, disseram eles.
Em algumas partes, Rydstrom misturou com o som de rosnado de um jacaré e nos momentos em que o dinossauro chacoalhava as vítimas, ele usou o rosnado de seu próprio cachorro.
Gigante e gentil, o Braquiossauro é o primeiro dinossauro que a equipe encontra e para combinar com essa fera imponente, foram usados sons de burros zurrando. Ao serem desacelerados, esses sons ganham uma melodia calma e imponente que combina perfeitamente com a personalidade dócil do gigante.
O Dilofossauro já foi um pouco diferente, a ideia era de que ele parecesse um animal fofo a princípio, aparentemente, apenas uma criatura curiosa com a presença de um humano. Para isso, foi usado o canto de cisnes fêmeas quando chamam pelos filhotes.
Mas quando eles se preparam para atacar, eles abrem a gola, quase como uma cobra naja, e se transformam em um predador venenoso e pronto para atacar. Como você deve imaginar, o som de chocalho veio de uma cobra cascavel, que foi misturado ao de um macaco bugio para o momento do ataque.
Que o principal antagonista do filme é uma fêmea de velociraptor conhecida como “Big One” você já sabe, mas você sabia que os grunhidos que os raptores soltam na cena da cozinha tem origem romântica?
Pois é, acontece que Rydstrom gravou os sons de tartarugas gigantes acasalando, e o som que o raptor faz assim que entra na cozinha é o mesmo que o macho de tartaruga faz no “ponto alto do amor”.
Algo engraçado de se imaginar é que durante as cenas com o T-Rex, Spielberg rugia no megafone imitando o dinossauro.
Depois que tudo estava pronto, nós podíamos ouvir o rugido assustador do monstro, mas durante a gravação tudo o que os atores tinham era a imaginação de Spielberg.
Sam Neil declarou: “Aquilo era mais engraçado do que qualquer coisa e deixava mais difícil gravar as cenas, já que eu não deveria rir. Não foi fácil”.
No fim, Rydstrom foi genial criando sons que traziam vida e personalidade para essas criaturas que só vivem na nossa imaginação. Seu trabalho ficou tão bom, que se tornou referência para todas as outras obras que envolvem os nossos bichinhos pré-históricos.
Com os dinossauros definidos, agora só faltava uma coisa: Construir o Parque dos Dinossauros.
Locação e efeitos práticos
O parque dos dinossauros não poderia ser apenas um cenário dentro de um estúdio, Spielberg precisou levar toda a equipe até uma ilha, gravar em meio à natureza.
Jurassic Park foi gravado principalmente no Havaí, na ilha de Kauai, onde acontece a cena da cachoeira e as que se passam entre as árvores gigantes, outras cenas foram gravadas em Oahu, com áreas mais abertas com montanhas ao fundo.
Enquanto a maioria dos ambientes internos foi gravada em estúdios na Califórnia.
No livro, Crichton descreve o tour pelo parque sendo narrado por Richard Kelly, locutor e ator norte-americano. Por isso, Spielberg decidiu que ele deveria ser a voz que narra as atrações do parque.
Mas o mais importante são as verdadeiras estrelas do filme: os dinossauros.
Os animatrônicos foram criados pelo estúdio Stan Winston, o mesmo que criou o robô esqueleto em Exterminador do Futuro, assim como a rainha em Aliens: O resgate, onde venceu seu primeiro Oscar por efeitos visuais.
O primeiro desafio que vemos em tela foi construir o animatrônico do Triceratops, que havia ficado doente depois de ter consumido uma pequena fruta venenosa.
O filme não explica, mas nos livros os Triceratops engoliam pedras para ajudar na digestão, e com isso eles acabaram ingerindo Belladona.
Spielberg exigiu que a cena fosse gravada no Havaí, mas o Triceratops não era somente um animatrônico deitado no chão, ele precisava parecer um animal, vivo e respirando.
O estúdio precisou cavar um buraco para oito pessoas, que foi coberto pelo dinossauro, além disso havia mais quatro pessoas do lado de fora, tudo para que tivéssemos a sensação de que aquele dinossauro era real e estava vivo.
A produção chegou a preparar uma cena ainda mais ambiciosa, com filhotes de Triceratops e Tim montado em um deles, mas ela acabou ficando de fora do filme.
Até a aparência do dinossauro passou por mudanças. No início, o Triceratops foi criado com um visual muito mais colorido, mas depois que Winston viu o resultado, achou que estava muito ridículo e pediu para a equipe pintar tudo de marrom e completar com terra. Eles precisavam se parecer com animais e não monstros de fantasia.
Mas nem sempre usar animatrônicos ou CGI era a melhor solução, as vezes era necessário fazer as coisas à moda antiga.
A maior parte das cenas com os Velociraptor foi gravada usando trajes. O supervisor John Rosegrant e outros membros da equipe vestiram fantasias de borracha para interpretar os animais.
Para isso, eles precisavam ficar em uma posição extremamente desconfortável para humanos. O traje era quente, apertado e limitava muito a visão dos atores, eles ficavam olhando através de pequenas fendas no pescoço do animal.
Por isso era praticamente impossível permanecer muito tempo dentro do traje, eles só conseguiam ficar por no máximo 30 minutos antes de precisarem sair.
Claro que nem todos os dinos poderiam ser interpretados por humanos, alguns deles precisavam de um processo de produção muito maior.
Animatrônicos
Até aquele momento, a equipe havia encontrado outras maneiras de fazer com que os dinossauros parecessem reais, mas dessa vez, eles não poderiam usar CGI, pois a criatura estaria perto demais dos atores, não poderiam usar trajes, pois ela seria grande demais, e ela precisava se movimentar muito mais do que um dino deitado.
Depois de ver a rainha em “Aliens: O Resgate”, Spielberg ficou convencido de que o estúdio de Stan Winston conseguiria construir um Tiranossauro gigante e realista.
O animatrônico media cerca de 6 metros de altura e pesava 7 toneladas. E, por mais que ele realmente se parecesse com um animal de verdade, por dentro ele ainda era uma máquina.
Seu corpo era controlado por sistemas hidráulicos, enquanto os movimentos menores eram capturados por sensores, gravados e reproduzidos usando CGI.
Ele era tão grande que precisaram adicionar luzes, com medo de que ele acabasse esbarrando em alguém com o seu peso e tamanho desajeitado. A equipe de Stan Winston precisou até aumentar a altura do galpão e alargar as portas para testar o Rei Tirano.
Mas, apesar do tamanho, o gigante tinha uma fraqueza, a chuva.
A espuma que cobria a estrutura funcionava como uma esponja gigante, absorvendo a água. Esse peso extra era o suficiente para dificultar o funcionamento do sistema hidráulico.
Para resolver isso, a equipe de efeitos precisava secá-lo com toalhas de banho, secadores de cabelo e rodos de cozinha o mais rápido possível para que ele não quebrasse.
E assim como o monstro de Frankenstein, o gigante ganhava vida!
Em um relato bem curioso, a produtora Kathleen Kennedy contou: “Estávamos almoçando quando de repente o T-Rex ganhou vida. Dava para ouvir os gritos de pavor das pessoas”.
Algo que também trouxe mais vida ao nosso dino favorito, foi o fato de ele também sofrer com problemas comuns na natureza.
Durante a cena em que ele ataca o carro com as crianças, alguns de seus dentes se soltaram. A equipe os colou de volta, mas depois de alguns minutos um deles caiu novamente.
Mas esses não foram os únicos imprevistos enfrentados pela produção, na verdade, as coisas acabaram se tornando bem mais difíceis e complicadas daqui pra frente.
Mais que uma simples tempestade
Em setembro de 1992, enquanto estavam filmando no Havaí, a equipe recebeu uma notícia preocupante. O furacão Iniki, o mais poderoso já registrado nas ilhas, estava a caminho de Kauai.
O furacão destruiu totalmente os cenários do filme, incluindo o cercado original dos Velociraptors. Além de destruir grande parte da infraestrutura da ilha, deixando a equipe praticamente isolada.
Spielberg, os produtores, atores e toda a equipe técnica tiveram que se abrigar no salão de festas do hotel. Cerca de 130 pessoas ficaram sem energia elétrica e sem qualquer meio de comunicação.
Enquanto todos correram até o salão de festas, Richard Attenborough permaneceu em seu quarto de hotel e dormiu durante todo o evento. Quando questionado, ele respondeu: “Meu querido, eu sobrevivi ao Blitz!”.
Richard serviu à Força Aérea Real Britânica durante os intensos bombardeios em Londres durante a Segunda Guerra Mundial.
Mas agora eles precisavam buscar por ajuda!
O produtor Gerald R. Molen (o mesmo que interpretou o veterinário) conseguiu dirigir um jipe em meio aos escombros após a tempestade. Ele encontrou Fred Sorenson, o piloto que interpretou “Jock” em Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. Sorenson conseguiu voar para a ilha vizinha de Oahu para trazer mantimentos e água para a equipe.
E eles não foram os únicos “heróis” da equipe. A produtora Kathleen Kennedy havia garantido que a equipe tivesse geradores e um bom estoque de água e comida, o suficiente para encarar a tempestade, mas eles precisavam entrar em contato com Los Angeles.
Pela manhã ela correu até o aeroporto, que estava destruído, e conseguiu uma carona até Honolulu com o Exército da Salvação e, de lá, organizou a logística por telefone.
Em 24 horas, ela coordenou o retorno seguro da equipe e providenciou o transporte de mais de nove toneladas de suprimentos de ajuda humanitária de Honolulu e Los Angeles até Kauai.
Depois disso, o restante das filmagens foram gravados em Los Angeles, nos estúdios da Universal.
Spielberg sabia que a tempestade era exatamente o tipo de coisa que eles poderiam usar no filme, então pediu ao cinegrafista Dean Cundey que registrasse imagens reais da força dos ventos.
Repercussão do filme
Depois de todo esse caos, qual foi o impacto de Jurassic Park nos cinemas e para o público?
O filme foi a maior bilheteria da época, o número de ingressos vendidos bateu recordes tanto dentro dos Estados Unidos quanto no restante do mundo.
Todo mundo passou a amar os dinossauros!
Muito além do filme, Jurassic Park fez com que muitas pessoas se interessassem por paleontologia e dinossauros.
Com o filme, houve um grande aumento de estudantes nas áreas de paleontologia, geologia e biologia, além de uma explosão no financiamento do turismo e de museus relacionados ao tema.
Jurassic Park teve um faturamento de US$913 milhões.
Isso sem contar com os itens de merchandising que aparecem quando Dennis Nedry passa pela loja do parque. Todos os itens foram vendidos rapidamente e Jurassic Park se tornou o segundo império de merchandising do cinema, somente depois de Star Wars.
Com o sucesso do filme, Spielberg, que tinha participação nos lucros, ganhou cerca de US$250 milhões, a maior quantia que uma única pessoa já recebeu em um único filme.
Como um gesto de agradecimento, o diretor deu a todos que participaram do elenco principal uma cópia assinada dos modelos em tamanho real de Velociraptor criados a mão pela ILM.
Por fim, Jurassic Park foi uma revolução no cinema, e não somente por ter conseguido colocar dinossauros em tela de uma forma que continua convincente até os dias de hoje.
Ele foi pioneiro ao combinar perfeitamente o uso de CGI com efeitos práticos. O filme também se tornou referência no uso de luz natural e chuva para esconder as imperfeições digitais, detalhes que fazem com que muitos filmes antigos causem a impressão de terem efeitos digitais melhores que os atuais.
E com isso, milhões de pessoas saíram do cinema querendo conhecer melhor essas criaturas que desapareceram da Terra há milhões de anos.









