O Material que Quase Fez o Reino Unido Perder a Guerra
A Grã-Bretanha liderava no desenvolvimento de vidro, porém após várias taxas, a indústria diminuiu. Isso acabou sendo um problema durante a 1ª Guerra, onde a Alemanha tinha monopólio sobre a produção de vidro, forçando os Britânicos a negociarem com o inimigo.
ROTEIROHISTORIA
Introdução:
- No início do século 20 (XX) surgiu uma das alianças mais poderosas da história.
- Formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália, a Tríplice Aliança era uma poderosa máquina de guerra. Contando com uma infantaria mais bem treinada, armamentos de ponta e uma frota naval que ameaçava o domínio Britânico.
- Quanto aos aliados, a falta de um material criou um problema tão grande que, em desespero, o Reino Unido teve que enviar um agente secreto para negociar com o próprio inimigo.
- Não era uma missão para adquirir armas, nem documentos secretos.
- Mas era tão importante quanto...
Abertura:
- A infantaria alemã tinha fuzis que conseguiam acertar um alvo a 1 km de distância, e tudo isso por causa de um material específico... o Vidro.
- O vidro óptico foi o material mais estratégico durante a 1ª Guerra Mundial. Sem ele era impossível direcionar a artilharia, guiar submarinos ou mapear as posições inimigas a longas distâncias.
- Para se ter uma ideia, a situação era tão crítica que o governo britânico chegou a lançar campanhas públicas implorando para que a população doasse seus binóculos de caça, óculos de ópera e lunetas. Até o Rei e a Rainha ajudaram nas doações.
- Mas ainda assim, não foi o suficiente.
Parte 1
- Hoje nós pensamos no vidro apenas como algo usado em janelas ou copos.
- Mas no início do século 20 XX ele era uma tecnologia estratégica.
- Durante os séculos 17 (XVII) e 18 (XVIII), o Reino Unido tinha os vidros ópticos mais avançados do mundo.
- Inclusive, foi justamente por sua qualidade, que o setor de vidros se tornou uma das partes mais lucrativas da economia britânica.
- Então surge a pergunta: O que deu errado?
- Para entender isso, dê uma olhada nessa imagem (01)
- agora essa (02). Notou algo de estranho? Nota: Imagens na pré-pesquisa
- De olho no dinheiro gerado pelo mercado de vidros, o governo britânico adotou uma sequência de taxas, sendo a mais famosa delas a taxa das janelas, onde quanto mais janelas você tinha, maior era o imposto que você teria que pagar. O que fez com que muitas pessoas fechassem as suas janelas com tijolos.
- As taxas reduziram o consumo e prejudicaram parte da indústria. Enquanto isso, outros países passaram a investir pesadamente em pesquisa e inovação.
- O grande problema é que isso aconteceu bem enquanto novos tipos de vidros estavam sendo desenvolvidos.
- Vidros mais resistentes e com um alcance e nitidez maior.
Parte 2
- Enquanto o Reino Unido perdia espaço, um outro império investiu no setor.
- Seguindo os princípios que tornaram o país em uma potência mundial, tanto durante a primeira, quanto na segunda guerra.
- A Alemanha fez o oposto e decidiu remover taxas e dar suporte aos cientistas.
- Ela escolheu a cidade de Jena para ser o polo central da produção de vidro óptico.
- E isso foi importante para que empresas e cientistas como o Friederich Otto Schott, e Carl Zeiss pudessem desenvolver vidros e equipamentos melhores.
- Duas empresas que são muito importantes até os dias de hoje.
- Assim, a cidade de Jena passou a dominar o processo de lentes. Principalmente com a empresa Otto Schott, que fabricava vidros nítidos e resistentes, enquanto a Carl Zeiss transformava esses vidros em lentes poderosas, microscópios e binóculos.
- Aos poucos o mercado de vidro britânico foi acabando, e o governo passou a depender cada vez mais das lentes alemãs.
Parte 3
- Durante a guerra. O Reino Unido tentou de tudo, confiscar os estoques das empresas estrangeiras alemãs, comprou o estoque de lojas de penhores, óticas e importadores, e até mesmo fez uma campanha pública, mas nada disso era o suficiente.
- A empresa francesa Parra-Mantois, era a única na Europa que conseguia produzir lentes de qualidade próxima da alemã. Mas a França também precisava das lentes.
- Na época, os vidros não eram tão nítidos quanto óculos comuns de hoje em dia. E uma pequena imperfeição na lente, poderia ofuscar ou distorcer a posição do inimigo em dezenas de metros.
- Sendo assim, a única alternativa que os Britânicos encontraram, foi enviar um espião até a Suíça, para negociar com os Alemães. Comprar vidro do inimigo, para usar contra o inimigo.
- E sabe o que é o mais absurdo nessa história?
- É que os Alemães aceitaram.
- Eles aceitaram vender os instrumentos para matar seus próprios soldados.
- Como mostra esse documento do ministério das munições britânicas (03), onde podemos ver os detalhes sobre a entrega dos produtos.
- (04) Existe um relato ainda mais curioso.
- Segundo um oficial britânico: Os soldados britânicos estavam observando navios alemães através de binóculos Zeiss.
- Enquanto os alemães observavam os britânicos através de binóculos produzidos pela mesma empresa.
- Acho bem curioso, imaginar essa situação.
- Mas por que eles fariam esse acordo?
- O motivo, é que assim como o Reino Unido estava desesperado por vidros ópticos, a Alemanha também estava desesperada com a falta de um material específico: Borracha.
- E o Reino Unido controlava a maior parte do fornecimento de borracha no mundo através de suas colônias.
- No fim, as duas maiores potências da época estavam tão desesperadas por recursos que estavam dispostas a negociar com os seus inimigos, mas não para negociar o fim da guerra.
Conclusão
- O vidro continua sendo muito importante até os dias de hoje, se tornando presente em quase tudo na sua vida, como a sua casa, carro ou através do chip no seu celular.
- E quando falamos de chips, existem duas empresas que se destacam, estando entre as mais relevantes do mundo na indústria de alta tecnologia, a mais de cem anos.
- A Zeiss, única fornecedora global de lentes e espelhos de ultra precisão.
- E a Schott, que continua sendo a líder no desenvolvimento de vidros e componentes para as mais diversas indústrias.
- Acima de tudo, a Primeira Guerra Mundial nos lembra que guerras não são vencidas apenas com soldados.
- Às vezes, elas são vencidas por cientistas, engenheiros e fabricantes de materiais que quase ninguém percebe.
- Porque não importa quantos navios ou canhões um país possua...
- Se ele não conseguir enxergar o inimigo.