O Material que Quase Fez o Reino Unido Perder a Guerra

A Grã-Bretanha liderava no desenvolvimento de vidro, porém após várias taxas, a indústria diminuiu. Isso acabou sendo um problema durante a 1ª Guerra, onde a Alemanha tinha monopólio sobre a produção de vidro, forçando os Britânicos a negociarem com o inimigo.

ROTEIROHISTORIA

Jean Cristian

8/11/20265 min read

Introdução:

- No início do século 20 surgiu uma das alianças mais poderosas da história.

- Formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália, a Tríplice Aliança era uma poderosa máquina de guerra. Contava com uma infantaria mais bem treinada, armamentos de ponta e uma frota naval que ameaçava o domínio britânico.

- Quanto aos aliados, a falta de um material criou um problema tão grande que, em desespero, o Reino Unido teve que enviar um agente secreto para negociar com o próprio inimigo.

- Não era uma missão para adquirir armas, nem documentos secretos.

- Mas era tão importante quanto...

Abertura:

- A infantaria alemã tinha fuzis que conseguiam acertar um alvo a 1 km de distância. E tudo isso por causa de um material específico... o vidro.

- O vidro óptico foi o material mais estratégico durante a Primeira Guerra Mundial. Sem ele, era impossível direcionar a artilharia, guiar submarinos ou mapear as posições inimigas a longas distâncias.

- Para se ter uma ideia, a situação era tão crítica que o governo britânico chegou a lançar campanhas públicas implorando para que a população doasse seus binóculos de caça, óculos de ópera e lunetas. Até o rei e a rainha ajudaram nas doações.

- Mas ainda assim, não foi o suficiente.

Parte 1

- Hoje nós pensamos no vidro apenas como algo usado em janelas ou copos.

- Mas, no início do século 20 ele era uma tecnologia estratégica.

- Durante os séculos 17 e 18, o Reino Unido tinha os vidros ópticos mais avançados do mundo.

- Inclusive, foi justamente por sua qualidade que o setor de vidros se tornou uma das partes mais lucrativas da economia britânica.

- Então surge a pergunta: O que deu errado?

- Para entender isso, dê uma olhada nessa imagem.

- Notou algo de estranho?

- De olho no dinheiro gerado pelo mercado de vidros, o governo britânico adotou uma sequência de taxas, sendo a mais famosa delas a taxa das janelas. Quanto mais janelas você tinha, maior era o imposto que você teria que pagar, o que fez com que muitas pessoas fechassem as suas janelas com tijolos.

- As taxas reduziram o consumo e prejudicaram parte da indústria. Enquanto isso, outros países passaram a investir pesadamente em pesquisa e inovação.

- O grande problema é que isso aconteceu justamente enquanto novos tipos de vidros estavam sendo desenvolvidos.

- Vidros mais resistentes, com maior alcance e nitidez.

Parte 2

- Enquanto o Reino Unido perdia espaço, outro império investiu no setor.

- Seguindo os princípios que tornaram o país uma potência mundial, tanto durante a Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial.

- A Alemanha fez o oposto e decidiu remover taxas e dar suporte aos cientistas.

- Ela escolheu a cidade de Jena para ser o polo central da produção de vidro óptico.

- E isso foi importante para que empresas e cientistas como o Friederich Otto Schott e Carl Zeiss pudessem desenvolver vidros e equipamentos melhores.

- Duas empresas que são muito importantes até os dias de hoje.

- Assim, a cidade de Jena passou a dominar o processo de lentes. Principalmente por meio da empresa Otto Schott, que fabricava vidros nítidos e resistentes, enquanto a Carl Zeiss transformava esses vidros em lentes poderosas, microscópios e binóculos.

- Aos poucos, o mercado de vidro britânico foi acabando e o governo passou a depender cada vez mais das lentes alemãs.

Parte 3

- Durante a guerra, o Reino Unido tentou de tudo: confiscou os estoques das empresas estrangeiras alemãs, comprou o estoque de lojas de penhores, óticas e importadores e até mesmo fez uma campanha pública, mas nada disso era suficiente.

- A empresa francesa Parra-Mantois era a única na Europa que conseguia produzir lentes de qualidade próxima da alemã. Mas a França também precisava das lentes.

- Na época, os vidros não eram tão nítidos quanto os usados nos óculos comuns de hoje em dia. E uma pequena imperfeição na lente poderia ofuscar ou distorcer a posição do inimigo em dezenas de metros.

- Sendo assim, a única alternativa que os britânicos encontraram foi enviar um espião até a Suíça para negociar com os Alemães. Comprar vidro do inimigo, para usar contra o inimigo.

- E sabe o que é o mais absurdo nessa história?

- É que os Alemães aceitaram.

- Eles aceitaram vender os instrumentos para matar seus próprios soldados.

- Como mostra esse documento do Ministério das Munições Britânico, no qual podemos ver os detalhes sobre a entrega dos produtos.

- Existe um relato ainda mais curioso.

- Segundo um oficial britânico, os soldados britânicos estavam observando navios alemães através de binóculos Zeiss.

- Enquanto os alemães observavam os britânicos através de binóculos produzidos pela mesma empresa.

- Acho bem curioso imaginar essa situação.

- Mas por que eles fariam esse acordo?

- O motivo é que assim como o Reino Unido estava desesperado por vidros ópticos, a Alemanha também estava desesperada com a falta de um material específico: borracha.

- E o Reino Unido controlava a maior parte do fornecimento de borracha no mundo através de suas colônias.

- No fim, as duas maiores potências da época estavam tão desesperadas por recursos que estavam dispostas a negociar com os seus inimigos, mas não para negociar o fim da guerra.

Conclusão

- O vidro continua sendo muito importante até os dias de hoje e está presente em quase tudo na sua vida, como a sua casa, no seu carro ou através do chip do seu celular.

- E quando falamos de chips, existem duas empresas que se destacam e estão entre as mais relevantes do mundo na indústria de alta tecnologia há mais de cem anos.

- A Zeiss, única fornecedora global de lentes e espelhos de ultraprecisão.

- E a Schott, que continua sendo a líder no desenvolvimento de vidros e componentes para as mais diversas indústrias.

- Acima de tudo, a Primeira Guerra Mundial nos lembra que guerras não são vencidas apenas com soldados.

- Às vezes, elas são vencidas por cientistas, engenheiros e fabricantes de materiais que quase ninguém percebe.

- Porque não importa quantos navios ou canhões um país possua...

- Se ele não conseguir enxergar o inimigo.